Neste 21 de abril, feriado que celebra a memória de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, uma dúvida histórica retorna ao centro do debate: por que o patrono cívico do Brasil é quase sempre representado com cabelos longos e barba, em uma estética que remete diretamente às iconografias clássicas de Jesus Cristo?
A resposta não reside em registros documentais, mas na necessidade política de construção de um herói republicano. Após a Proclamação da República em 1889, o novo regime precisava de uma figura que unificasse a nação e justificasse os valores republicanos. Como não existiam retratos de Tiradentes feitos em vida, artistas da época recorreram à tradição da arte sacra ocidental para moldar sua imagem. Ao dotar o alferes com traços messiânicos, os pintores buscavam conferir-lhe um ar de santidade e sacrifício, transformando o homem que lutou na Inconfidência Mineira em um “Cristo cívico” que deu a vida pela liberdade do povo brasileiro.
Historicamente, a realidade era bem diferente. Como militar e dentista no século XVIII, Tiradentes seguia os padrões estéticos do período, mantendo cabelos curtos e rosto barbeado. A construção visual que conhecemos hoje foi, portanto, uma estratégia deliberada para elevar seu status de “traidor” da Coroa para o de grande mártir da Pátria. Essa “invenção da tradição” foi tão eficaz que se consolidou na imaginação popular, tornando a figura de Tiradentes, independentemente da precisão histórica, o símbolo máximo de patriotismo e luta contra a opressão no Brasil.
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Por Caio Souza
Portal Rio Norte | Manaus – AM
Fotos: Portal do Holanda
Fonte: Portal Rio Norte

