Internações e casos por coqueluche crescem 1.253% em 2024

Internações e casos por coqueluche crescem 1.253% em 2024

Brasil Saúde

As internações e casos por coqueluche dispararam entre crianças brasileiras menores de cinco anos em 2024. O Observatório de Saúde na Infância registrou aumento de 1.253% em comparação com ano anterior. Consequentemente, a doença voltou a preocupar autoridades sanitárias após anos de controle relativamente estável.

O levantamento do Observa Infância da Fiocruz e Faculdade de Medicina de Petrópolis identificou 4.304 casos em 2024. Em 2023, foram apenas 318 registros da doença. Dessa forma, as internações e casos por coqueluche atingiram níveis não vistos desde 2015, quando ocorreram 4.630 casos.

Em entrevista ao Portal CM7, os dados baseiam-se em informações do DataSUS compiladas pelos pesquisadores. As hospitalizações também cresceram significativamente, registrando aumento de 217% em 2024. Portanto, as internações subiram de 420 para 1.330 no período analisado.

Paraná lidera taxa de incidência nacional

As internações e casos por coqueluche concentram-se especialmente em três estados brasileiros. A taxa média nacional de incidência ficou em 95 casos para cada 100 mil crianças em 2024. Simultaneamente, os índices mais altos ocorreram no Paraná com 443,9 casos por 100 mil habitantes.

O Distrito Federal registrou taxa de 247,1 casos por 100 mil crianças menores de cinco anos. Santa Catarina completou o trio de liderança com 175,9 casos por 100 mil habitantes. Igualmente, esses números evidenciam distribuição desigual das internações e casos por coqueluche pelo território nacional.

Segundo o Ministério da Saúde, de janeiro de 2024 até 10 de janeiro de 2025, o país notificou 6.504 casos totais. As faixas etárias mais afetadas são crianças menores de 1 ano e adolescentes. Paralelamente, o total de casos confirma tendência de crescimento ao longo de todo ano.

Mortes por coqueluche superam total de cinco anos

As internações e casos por coqueluche vêm acompanhados de mortalidade preocupante em 2024. Quatorze crianças com menos de cinco anos morreram em decorrência da doença. Além disso, esse número supera total de óbitos registrados entre 2019 e 2023, que somaram dez mortes.

Até agosto de 2024, já haviam sido contabilizados 1.148 casos e 577 hospitalizações. Conforme dados do Ministério da Saúde, foram confirmados 29 óbitos pela doença considerando todas faixas etárias. Entretanto, crianças pequenas continuam sendo grupo de maior vulnerabilidade e risco.

A coqueluche é infecção respiratória causada pela bactéria Bordetella pertussis. A transmissão ocorre por gotículas expelidas na tosse, fala ou espirro. Portanto, o período de incubação varia de cinco a 21 dias, com sintomas de crises intensas de tosse seguidas por dificuldade respirar.

Cobertura vacinal ainda abaixo da meta nacional

As internações e casos por coqueluche relacionam-se diretamente com queda na cobertura vacinal nos últimos anos. A cobertura da vacina pentavalente passou de 87,6% em 2023 para 90,2% em 2024. Entretanto, o índice permanece abaixo da meta nacional de 95% definida pelo Programa Nacional de Imunizações.

A vacina pentavalente protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b. O esquema vacinal completo exige três doses aos 2, 4 e 6 meses de idade. Simultaneamente, reforços com DTP são aplicados aos 15 meses e aos 4 anos.

A nota técnica nº 70/2024 do Ministério da Saúde alertou sobre aumento global de casos da doença. Segundo o documento, diversos países registraram crescimento significativo nas notificações. Finalmente, as internações e casos por coqueluche no Brasil refletem tendência mundial de ressurgimento da doença associada à redução das coberturas vacinais.


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Fonte: Portal CM7

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